Do primeiro ao último plano

By Henrique Ribeiro

Sou um grande leitor e, principalmente, fã de blogs. Sempre os considerei uma excelente fonte de informação e diversão – uma das melhores ferramentas da internet. Como é bom descobrir um excelente blog e ficar horas lendo todos os seus posts. Já como “criador” de blogs nunca fui muito feliz. Desde 2004 tento criar um blog e criar o hábito de escrever regularmente, mas sempre tentava fazer do blog um “diário virtual” – com textos e devaneios pessoais. Nunca dava certo, sempre ficava cansado de escrever sobre fins de relacionamentos ou textos apaixonados – e é claro que ninguém quer ficar lendo sobre pés na bunda ou paixões platônicas. Blogs assim são piores do que um bêbado apaixonado mandando mensagens SMS.

Enfim, cá estou eu escrevendo o primeiro post deste blog. Não tenho a pretensão, e muito menos vontade ou vocação, de fazer deste blog um espaço de crítica cinematográfica. Pretendo utilizar este espaço para escrever, pensar, aprender, me divertir e tentar entender esta matéria que eu tanto amo e que escolhi como carreira profissional – o audiovisual. Você poderá achar aqui tudo que for audiovisual ou relacionado a ele. Como diz o texto ali no canto direito da tela: cinema, publicidade, videoclipe, programas de TV, vídeos de celulares e amadores. Pode ser novo ou velho, moderdinho ou clássico, hollywood ou bollywood. Enfim, qualquer formato audiovisual entra aqui – ou não. François Truffaut tem um belíssimo texto intitulado Por que sou o homem mais feliz do mundo, que pode ser encontrado no livro O prazer dos olhos, publicado pela Jorge Zahar. Nele tem um fragmento que diz.

“Discute-se muito o propósito do que deve ser o conteúdo de um filme: devemos nos ater ao divertimento ou informar o público sobre grandes problemas sociais do momento? Fujo dessas discussões como o diabo foge da cruz. Acho que todas as individualidades devem se exprimir e que todos os filmes são úteis, sejam formalistas ou realistas, barrocos ou engajados, trágicos ou ligeiros, modernos ou obsoletos, em cores ou em preto-e-branco, em 35mm ou em super-8, com estrelas ou desconhecidos, ambiciosos ou modestos… Só conta o resultado, isto é, o bem que o diretor faz a si próprio e o bem que faz aos outros.”

Tenho acreditado muito nisso. Qual será o critério de escolha? Cenas que me marcaram, filmes que me apaixonaram, vídeos que me divertiram, musas que me inspiraram. Qualquer material audiovisual que me encante do primeiro ao último plano.

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